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Revolta de 1924: 92 anos de um relato

23/07/2016

 

As descobertas do acervo de música do MOSB não cessam. Durante o processo de higienização das partituras de orquestra, um pequeno texto no fim dá página chamou a atenção da estagiária, Jéssica Rocha. Tratava-se de um relato do copista Paulo Alpenien (copista é quem transcreve manualmente textos ou partituras, nesse caso uma partitura de orquestra que serviria para vários músicos) sobre os bombardeios ocorridos durante a revolta de 1924.

 

The Blue Danube Valse (Valsa Danúbio Azul ) de Johann Strauss composta em 1867 era a partitura que estava sendo copiada e na qual foram escritos dois pequenos textos:

 

“São Paulo, 23 de julho de 1924, Alpenien

Grande noite de tiroteio e bombardeio da cidade pelos legalistas das 7 da noite até as 6 da manhã.”

“São Paulo, 23 de julho de 1924

acabei às 10h da noite ao som de fuzilaria e canhão.”

 

Paulo Alpenien foi trompista e estreou, em 1925, o choros nº 3 de Villa Lobos no Theatro Municipal. Durante julho de 1924, possivelmente, encontrava-se no Liceu Coração de Jesus (ou próximo) e acompanhou a artilharia disparada pelos legalistas que defendiam o governador eleito, Carlos de Campos, na época denominado presidente do Estado. O Palácio do Governo situava-se, nesse período, há dois quarteirões do Liceu, na Av. Rio Branco.

 

Foto: estagiária Jéssica Rocha e os relatos de Paulo Alpenien.

 

Revolta de 1924: A Revolta Esquecida

 

Em 5 de julho de 1924 começaram os ataques dos revoltosos que eram compostos pelos batalhões do exército e da polícia. A Revolta, que está inserida no movimento tenentista, foi liderada pelo General Isidoro Dias Lopes e tinha como objetivo tirar do poder o presidente do Brasil, Artur Bernardes. Posteriormente, doze estados acabaram aderindo à revolução que nesse momento era liderada por Luiz Carlos Prestes. A ideia central era empreender uma série de revoltas militares simultâneas que pudessem forçar a queda do presidente.

 

“O vigor dos ataques militares obrigou Carlos de Campos, presidente do Estado, a fugir de São Paulo. A capital se transformou em um verdadeiro palco de guerra, forçando cerca de 300 mil pessoas a saírem refugiadas. A violência dos bombardeios deixou várias partes da cidade destruída e a ausência do presidente estadual transformou o Palácio do Governo em um foco de resistência tenentista. Entretanto, a falta de apelo popular enfraqueceu o movimento. Não resistindo à superioridade bélica das forças fiéis ao governo federal, os tenentes paulistas decidiriam deslocar o movimento para outra localidade. No dia 27 de julho de 1924, os militares paulistas romperam o cerco dos exércitos situacionistas, alcançando a região norte do Paraná, na fronteira entre o Paraguai e a Argentina. Depois de conquistarem algumas cidades paranaenses e catarinenses, esses militares decidiram se unir aos militares da Coluna Gaúcha liderada por Luís Carlos Prestes.” (Sousa)

 

Referência:  Rainer Sousa

 

Os salesianos durante 1924

 

O Liceu Coração de Jesus tinha como diretor em 1924 o padre Luiz Marcigaglia. No dia 5 de julho o colégio foi bombardeado três vezes e as balas de canhão caíram no mesmo lugar, única sala onde não havia nenhum dos 500 alunos internos. Um aluno foi atingido no braço por um estilhaço da bomba mas o ferimento não trouxe maiores consequências.

 

Uma turma de aproximadamente 40 alunos estavam na chácara em Santana (atual Colégio Santa Teresinha) e por lá ficaram. Pais e responsáveis foram buscar muitos alunos. Cerca de 376 foram levados à Hospedaria dos Imigrantes (atual Museu da Imigração) e no Liceu permaneceram apenas os que estavam enfermos devido a um surto de caxumba.


O padre Marcigaglia escreveu, a partir de suas notas de crônica, um livro que se tornou precioso material bibliográfico intitulado Férias de Julho. Neste são relatados acontecimentos só compreensíveis como resultado da intervenção divina. Mas isso é uma outra história que fica para uma próxima vez.

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