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Domenico Delpiano

“Gozando de renome nacional e internacional, era de uma pobreza franciscana. Ao vê-lo em seu surrado terno escuro, com seu inseparável guarda-chuva, ninguém creria que ali estava um gênio.”
 

Coadjuntor Domingos Delpiano. João Modesti (SDB). Boletim Salesiano, 1982.

Domenico (Domingos, Domingo ou Dominique) Delpiano, arquiteto salesiano, leigo consagrado, filho de Teresa Carago e Giovanni Delpiano nasceu em Castelnuovo D’Asti (atual Castelnuovo Don Bosco), em Turim na Itália, em 29 de dezembro de 1844. Foi criado e graduado em Marselha, na França, onde frequentou o oratório salesiano L’oratoire de Saint-Léon e trabalhou como  construtor.

 

Delpiano entrou para o colégio salesiano em 27 de setembro de 1875, após ser convidado por Dom Bosco para fazer parte da Pia Sociedade de São Francisco de Sales. Aos 30 anos de idade, abandonou sua antiga profissão e dedicou-se inteiramente a congregação Salesiana e por quase um ano acompanhou Dom Bosco como seu secretário. Praticou o noviciado de 1º de janeiro de 1878 a 1879, quando fez sua primeira profissão perpétua. Devido sua vocação para a arquitetura, foi aconselhado pelos seus superiores a largar o hábito e com a aprovação de Dom Bosco, tornou-se coadjuntor salesiano.

Em 21 de dezembro de 1881, partiu do porto de Marselha a bordo do navio a vapor La France com destino a América fazendo parte da 7ª expedição de missionários.  A expedição foi chefiada por Dom Luigi Lasagna e era composta por Domenico Delpiano, os clérigos Albanello, Foglino, Giordano, Massano e Zatti. Os missionários chegaram ao porto de Montividéu em 15 de janeiro de 1882 e logo partiram para Villa-Colón onde Delpiano projetou e construiu por um ano e meio edifícios e monumentos funerários.

 

Em 10 de julho de 1883, um grupo chefiado mais uma vez por Dom Luigi Lasagna foi enviado ao Brasil com a missão de fundar a primeira obra salesiana no país.  No grupo estavam os padres Michele Borghino e Carlo Peretto, os seminaristas Michle Foglino e Bernardino Monti e os coadjuntores Domenico Delpiano, Giuseppe Daneri e Giovanni Batista Cornélio. Chegaram a Niterói em 14 de julho de 1883 ancorando o navio Orenòque no cais Pharoux.

Em 1888, Delpiano foi enviado a São Paulo para acompanhar a construção da segunda casa salesiana brasileira: o Liceu Coração de Jesus. Passou a residir na capital paulista até a data da sua morte. A compreensão da pedagogia salesiana e seu rebatimento na estrutura espacial dos edifícios escolares, a identificação e caracterização das arquiteturas do ecletismo são fortes indícios da obra deste impecável arquiteto. A atividade profissional de Delpiano não esteve limitada unicamente à prática projetual, embora tenha estado sempre ligado a ela.

O arquiteto atuou como professor no Colégio Pó no Uruguai e no Liceu Coração de Jesus em São Paulo/SP, Brasil, onde era o Diretor Técnico das Oficinas Salesianas de Marmoraria, Ornamento e Escultura. Neste cargo, além de ser o responsável pelo ensino dos alunos, Delpiano tinha sob o seu cuidado a criação, a fiscalização e a produção das peças fabricadas pela oficina. Na seção de marmoraria, esculturas e ornamentos eram executados altares, túmulos, balaústres, pedestais, cruzes e outros ornatos. Na oficina de marcenaria eram feitos móveis, portas e janelas e na de serralheria produziam gradis, portões de ferro, etc. Todos estes elementos desenhados pelo próprio arquiteto. O trabalho desenvolvido nas oficinas permitiu que Delpiano criasse, no Brasil, a técnica de polimento do granito nacional, problema até aquele momento insolúvel.

Ao longo de sua vida trabalhou na Itália, França, Uruguai e Argentina. No Brasil, além de atender à congregação, trabalhou para leigos ligados aos salesianos como Anna Maria de Almeida Lorena Machado e Eduardo Prates (Conde Prates).

 

Em 8 de setembro de 1920, enquanto vistoriava a obra da construção do colégio Santa Inês, sofreu um ataque apoplético, despencou do andaime e foi encaminhado ao Hospital Santa Catarina onde faleceu logo em seguida.

 

Domenico Delpiano era um erudito, falava e escrevia em italiano e francês, tinha conhecimento musical, mais precisamente sobre canto.