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No seminário um sonho

Um novo sonho, tão expressivo quanto o primeiro, veio confirmar-lhe a vontade do Céu:

Aos pés da colina em que estava o sítio de seu irmão, estendia-se um largo vale, o qual tomou de repente aos seus olhos o aspecto de uma populosa cidade. Nas ruas e nas praças ouvia-se o burburinho de uma multidão de meninos abandonados a si mesmos. Brincavam, gritavam, e blasfemavam. João não podia ouvir blasfêmias que logo ficava fora de si. E assim correu para aqueles infelizes e lhes intimou que se calassem. Vendo que não obedeciam, ameaçou bater-lhes. Não adiantava nada! Chegou então aos fatos e começou a surrar os mais insolentes. Estes lhe responderam no mesmo tom, cobrindo-o de bofetadas. Vendo-se aniquilado pela superioridade numérica, o clérigo tratou de fugir.

 

Mas eis que aparece uma personagem misteriosa, que lhe impede o caminho e lhe intima que volte a ter com os pobrezinhos e os corrija por meio da persuasão. O sonhador contentou-se em mostrar como única resposta os sinais dos bofetões recebidos. Então o desconhecido o apresentou a uma grande Senhora que se tinha aproximado dele: "Eis aqui minha Mãe lhe disse: segue os conselhos que Ela vai dar". A suave aparição envolveu-o num olhar cheio de bondade e murmurou "Se queres ganhar estes meninos, não os maltrates com socos e pontapés, mas conquista-os com a doçura e a persuasão". E foi o que João fez.

 

Então, como no primeiro sonho, assistiu a uma dúplice mudança. Primeiro os meninos se transformaram em animais ferozes e depois de um instante se metamorfosearam em mansos cordeirinhos. Um sonho não é nada... ou é bem pouca coisa! Mas quando se vê o espírito dessa criança, desse adolescente, desse moço obcecado constantemente pela mesma idéia, é impossível não supor que aí haja intervenção do Céu. E a suposição se faz certeza quando vinte, trinta vezes vemos que os acontecimentos decalcam o sonho e o justificam. O vidente toma então o aspecto de predestinado. Há crianças precoces que revelam aos oito anos, com seus dons naturais, o que vão ser um dia: músicos, poetas, pintores. Pois é o caso de Dom Bosco: os céus e a terra conspiraram para lhe indicar o caminho. Uma força secreta o arrastava imperiosamente para a juventude; e um instinto invisível arrastava a juventude para ele. Esse duplo movimento, do pastor ao encontro das ovelhas e em busca do pastor, transformava em realidade as visões noturnas, nas quais Jesus e sua Mãe Santíssima, inclinando-se para a miséria moral dos pequeninos, pareciam dispor tudo de tal maneira que o pobre rebanho disperso ou errante encontrasse finalmente seu pastor e seu redil.

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